Diretor do Instituto das Águas da Bahia alerta para efeitos do clima no estado

Salvador – Os efeitos do aquecimento global poderão atingir de maneira especialmente perversa a população baiana. Essa é a opinião do diretor-geral do Instituto de Águas da Bahia, Júlio Rocha, que participou hoje (29) de mesa sobre Mudanças Climáticas no Fórum Social Mundial Temático da Bahia (FSMT Bahia).

Segundo Rocha, 69% do estado tem clima semiárido. Essa característica associada às plantações de 600 mil hectares de eucaliptos no sul da Bahia, torna a preocupação com a desertificação ainda maior. “Nós precisamos discutir sustentabilidade sabendo que muitos sofrerão mais do que outros”, afirmou Rocha.

De acordo com ele, dados da Universidade Federal da Bahia dão conta de que a partir de 2070 o estoque hídrico do estado começará a sofrer diminuição drástica, o litoral terá a temperatura média 2ºC maior e o semiárido terá aumento de 5ºC. “Imagine o que significa um aumento de 5ºC numa região com extrema escassez de água”, alertou.

Na opinião dele, não há como resolver o problema se não houver mudança nas relações de consumo, uma vez que o “capitalismo é em si predatório”.

O diretor do Instituto de Águas da Bahia esteve na Conferência do Clima em Copenhague e se disse otimista sobre o que foi discutido lá. Segundo Rocha, apesar de os resultados na Dinamarca não terem sido decisivos para resolver o problema do aquecimento global, os efeitos das discussões serão cumulativos.

Acho que Copenhague significou um acúmulo de processos que vão se dar esse ano, no ano que vem e nos outros”, finalizou.

Agência Brasil
Mariana Jungmann
Enviada Especial

Morte de milhares de peixes assusta pescadores

Milhares de peixes apareceram mortos no município de Candeias, região metropolitana de Salvador.

O Instituto do Meio Ambiente já esteve no local e diz que, por enquanto, não há como afirmar se as mortes foram causadas por produtos químicos ou fenômenos naturais. Pescadores e marisqueiras estão desesperados.

A área atingida pela mortandade de peixes desde sexta-feira (21) vai do distrito de Passé, a 60 quilômetros de Salvador no município de Candeias, à Ilha de Maré.

Pela manhã, a comunidade de pescadores recolheu cerca de 400 quilos de mariscos e peixes, como arraias e robalos.

A equipe do BATV acompanhou os pescadores pelo Rio São Paulinho, onde muitos filhotes ainda eram encontrados boiando e nas margens da vegetação do mangue os peixes que vêm do mar costumam usar o rio para desova.

Segundo os moradores de Passé, as mortes estão relacionadas a resíduos de uma indústria química despejados por um tubulação.

De acordo com os pescadores, para o trecho do Rio São Paulinho voltar a oferecer a mesma quantidade de peixes, serão necessários entre seis e doze meses de espera.

‘Ele vai dar cria, dá a desova deles… nós vamos pegar os maiores e os menores vão dar cria novamente. E agora morreu tudo, pequeno, grande, tudo. E agora, vai ficar como?’, questiona o pescador Genival Chagas.

O IMA- Instituto do Meio Ambiente começou na sexta-feira a coletar água, areia do leito do rio e peixes para descobrir a presença de algum produto químico relacionado às mortes. O laboratório contratado pelo Instituto vai divulgar um laudo na próxima terça-feira (25).

‘A gente não está associando a nenhuma empresa ainda. A gente está analisando se é por uma poluição química ou uma proliferação de algas’, afirma Anderson Carneiro, técnico do IMA.

Durante a inspeção dos técnicos, os pescadores pediram uma explicação. Marisqueira há 40 anos, dona Clarice Chagas já prevê tempos difíceis. ‘O pescador, coitado, pesca tudo aí dentro do rio. Agora o que será da gente aqui agora? Marisco a gente não pode comer. Peixe não pode comer. Vai comer o quê? Não tem dinheiro para comprar nada’, relata a marisqueira.

*com informações do BATV
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